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Às
vezes queria que o mar levasse
os teus olhos e por dentro, e às vezes e por mais
que os barcos o digam
hoje era um dia de chuva, pergunta-me por
ele, deixa-me nos teus olhos: a lua quer
cair-lhes e é feita quase sempre de
seda para os pés do teu quarto, feita quase
sempre com as tuas casas na voz tão alugadas
ao mar; quando durmo nos teus olhos há lagos
que não estão na terra, há manhãs que são
como os presuntos de Paris e nos seus olhos
ouve-se o mar e volto a falar-te das pedras
que há nas nuvens: andavas tão devagar que
esse mar via-se atrás de ti ou a pequena
doença dos degraus depois da chuva onde o
sol pôde nascer; não atrases a chuva às rosas,
as mãos levam sempre os desertos e os anéis;
e hoje foram os mesmos, os desertos no teu
corpo: levas um lago, há uma estrela que se
acende, e a água e só a água das sombras
onde vais subindo para o quarto: quando
acordar ou perder a Primavera podes levar-me:
eu aprendi o teu nome e tudo ainda que
possas ler nas mãos de uma tarde; o teu
sangue tem alguns dentes com o rosto que
dou às arvores, que dou e que fazem
longas noites pelos olhos; já não posso
correr, só andar: as tuas mãos
espiam-me as dores numa dúzia
de flores e os lugares mais
bonitos do mar estão nos lagos e
uma por uma depois as noites, ou
depois essa conversa dos
espelhos com as feridas; era um dia
de chuva e o mar tão perto do coração: era
um dia de chuva e pergunta-me por ele,
Meu Amor
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