quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AS NUVENS COMO DEGRAUS PARA UMA VAGINA


                                                                                                         Proximamente nas livrarias


 Hoje
                               é um dia de chuva, é hoje um dia
   de chuva e os teus olhos pensados são para uma 
           ponte que ainda está no vento

é uma noite sempre ver-te da janela, ver de
outra forma as aves, aprender a subir
uma estrela, deixar o sol entre as
rosas, e chamar-te uma nuvem feita há muito
destas focas brilhantes, e agora leves
com esses digestivos cigarros à
espera da Páscoa; é hoje que se desce um
abismo, quase velho, seco, mudas assim a
noite, a lua, os ventos e era um apelo de mãos
esta égua ao longo da chuva: beija-me, hoje,
outra vez, a precisão dos abismos é uma
chama dos teus olhos e o sol leva
precisamente os poentes que ainda se
despedem nos meus e foi tudo menos assim:
onde tinha caído o Inverno e nessa égua de
aguardentes ainda emudecida por uma
navalha de sedas. Apago eu as árvores no
quintal, e quando pelo vento te perdes,
vejo que me falta ouvir-te, vejo e só
hoje, um arco-íris da fala, um poente
de sala ou este atlântico piano do pólen
com um peito de veias que há-de
chegar ao teu coração com
um pôr do sol. E é hoje,
tu voltarás e não me tocarás
numa noite, e esta noite é outra
vez a primeira, ou se vês os ventos é já
muito longe, e eu dizê-lo não quero, porque
esta é uma estrela que veste desde sempre os
rios pelos ombros e ainda só por eles as flores
que nasciam nos teus olhos,
Meu amor

AS FLORES MAIS IMPOSSÍVEIS ERAM DOS TEUS LÁBIOS

                                                                                                            Proximamente nas Livrarias  

    Às
                           vezes queria que o mar levasse
   os teus olhos e por dentro, e às vezes e por mais
      que os barcos o digam
 
hoje era um dia de chuva, pergunta-me por
ele, deixa-me nos teus olhos: a lua quer
cair-lhes e é feita quase sempre de
seda para os pés do teu quarto, feita quase
sempre com as tuas casas na voz tão alugadas
ao mar; quando durmo nos teus olhos há lagos
que não estão na terra, há manhãs que são
como os presuntos de Paris e nos seus olhos
ouve-se o mar e volto a falar-te das pedras
que há nas nuvens: andavas tão devagar que
esse mar via-se atrás de ti ou a pequena
doença dos degraus depois da chuva onde o
sol pôde nascer; não atrases a chuva às rosas,
as mãos levam sempre os desertos e os anéis;
e hoje foram os mesmos, os desertos no teu
corpo: levas um lago, há uma estrela que se
acende, e a água e só a água das sombras
onde vais subindo para o quarto: quando
acordar ou perder a Primavera podes levar-me:
eu aprendi o teu nome e tudo ainda que
possas ler nas mãos de uma tarde; o teu
sangue tem alguns dentes com o rosto que
dou às arvores, que dou e que fazem
longas noites pelos olhos; já não posso
correr, só andar: as tuas mãos
espiam-me as dores numa dúzia
de flores e os lugares mais
bonitos do mar estão nos lagos e
uma por uma depois as noites, ou
depois essa conversa dos
espelhos com as feridas; era um dia
de chuva e o mar tão perto do coração: era
um dia de chuva e pergunta-me por ele,
Meu Amor